← Todos os Insights
Analytics 5 min de leitura

O que a análise de jornada revela

A métrica que prevê se um cliente vai ficar não é a nota que ele dá a um ponto de contato isolado. É como a jornada inteira se sustenta, e a maioria das empresas ainda mede a coisa errada.

Em resumo

  • A forma como o cliente avalia a jornada de ponta a ponta prevê a satisfação muito melhor do que a avaliação de qualquer interação isolada. A maioria dos programas de mensuração ainda avalia os pontos de contato e perde de vista a jornada.
  • Os vazamentos que importam estão nas transições entre áreas, onde nenhuma equipe é dona da experiência e todos os painéis aparecem no verde.
  • Bem executada, a análise de jornada transforma um paredão de notas por ponto de contato em uma lista priorizada das transições que movimentam retenção e receita, cada uma com um responsável definido.

Um cliente pode dar nota alta a cada interação que tem com a sua empresa e, mesmo assim, ir embora. É justamente isso que a maioria dos programas de experiência não foi feita para enxergar. Eles medem ligações, visitas, e-mails e sessões no app uma a uma, cada uma com sua nota, seu responsável e sua aparência saudável. Aí o cliente cancela, e nenhum painel tinha visto a coisa chegar.

A razão é estrutural. A satisfação não mora dentro de um único ponto de contato. Ela mora no caminho entre eles.

A jornada prevê o que o ponto de contato não consegue

A pesquisa da McKinsey sobre experiência do cliente é categórica nesse ponto. Medir a satisfação ao longo de toda a jornada prevê a satisfação geral do cliente cerca de um terço melhor do que medir o contentamento a cada interação isolada.

30% Mais preditivo da satisfação geral medir a jornada de ponta a ponta do que medir cada ponto de contato isoladamente. Fonte: McKinsey & Company

O efeito é mais nítido onde as jornadas são longas e passam por muitas mãos. Em planos de saúde, o cliente tem probabilidade muito maior de estar satisfeito quando a jornada inteira funciona do que quando apenas os pontos de contato funcionam.

73% Mais provável que um cliente de plano de saúde esteja satisfeito quando a jornada inteira funciona bem, e não apenas os pontos de contato individuais. Fonte: McKinsey & Company

É por isso que um monte de notas verdes por ponto de contato pode encobrir uma jornada que falha em silêncio. Cada equipe otimiza o seu próprio momento. Ninguém responde pelas emendas entre eles, e é nas emendas que os clientes decidem.

A satisfação não mora dentro de um único ponto de contato. Ela mora no caminho entre eles.

Quanto custam as emendas, e o que ajustá-las devolve

Os clientes já tratam a jornada como se fosse o produto. Mais de oito em cada dez dizem que a experiência que uma empresa oferece importa tanto quanto aquilo que ela vende.

84% dos clientes dizem que a experiência que uma empresa oferece é tão importante quanto seus produtos ou serviços. Fonte: Salesforce

Quando a jornada se rompe, eles vão embora, e nem sempre dão uma segunda chance. Cerca de um terço dos clientes diz que largaria uma marca que ama depois de uma única experiência ruim. O objetivo da análise de jornada é achar esses pontos de ruptura antes que o cliente esbarre neles, e o retorno de fazer isso aparece nos dois lados do balanço.

Quadro 1

O que maximizar a satisfação da jornada pode mover

Satisfação do cliente+20%
Receita+15%
Custo de atendimento−20%

Fonte: McKinsey & Company

A mesma disciplina eleva a satisfação, eleva a receita e reduz o custo de atendimento, porque uma jornada que flui gera menos ligações repetidas, menos escalonamentos e menos carrinhos abandonados. A economia e o crescimento saem do mesmo ajuste.

Como ler uma jornada, não um painel

A análise de jornada é menos uma ferramenta e mais uma sequência de perguntas feitas sobre dados conectados. O método que se sustenta na prática segue sempre o mesmo roteiro.

  1. Defina a jornada onde está o dinheiro. Comece por um resultado que importa, como do onboarding ao primeiro valor, da abertura do sinistro à resolução, ou a renovação, em vez de abraçar o mapa inteiro de uma vez.
  2. Conecte os dados que estão por trás dela. Una eventos, estados e feedback ao mesmo cliente e à mesma linha do tempo, cruzando as fontes de CRM, produto, suporte e pesquisas, para que o caminho apareça como um único registro.
  3. Meça as transições, não as paradas. Olhe a conversão entre etapas, o tempo gasto em cada uma e a ordem em que os passos acontecem. As quedas e os desvios são o sinal.
  4. Sobreponha como o cliente se sentiu. Encaixe notas de satisfação e de esforço nos pontos em que elas existem, para enxergar tanto o que aconteceu quanto como o cliente viveu aquilo.
  5. Priorize por impacto e dê um responsável. Ordene os pontos de ruptura pela receita e pela retenção que cada um movimenta e, depois, atribua a cada um um nome, uma métrica e um prazo.

É nesse último passo que a maioria dos programas tropeça. Um insight de jornada sem responsável não passa de um slide. Um insight de jornada com responsável e número vira plano de ação.

Do mapa à ação

O valor da análise de jornada não está no mapa. Está na lista enxuta de transições que, uma vez ajustadas, mudam o resultado, e na disciplina de financiá-las nessa ordem. Para isso, é preciso ligar o que os clientes sentem ao que o negócio fatura e mirar a próxima intervenção no momento que de fato faz a jornada avançar.

Para ver como construímos isso com nossos clientes, conheça nossos trabalhos de Experience to Impact e Next Best Action, ou explore os estudos de caso.

Fontes

  1. McKinsey & Company, "The three Cs of customer satisfaction: Consistency, consistency, consistency," mckinsey.com.
  2. McKinsey & Company, "What is CX (Customer Experience)?," mckinsey.com.
  3. Salesforce, "State of the Connected Customer Report Outlines Changing Standards for Customer Engagement," salesforce.com.
  4. PwC, "Experience is everything: Here's how to get it right," pwc.com.

Quer aplicar isso aos seus dados?

Agendar uma Consultoria