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Analytics 5 min de leitura

Prevendo o Churn de Clientes Com Dados

A maior parte do churn já está decidida muito antes do cancelamento. As empresas que retêm clientes são as que enxergam os sinais precoces e agem enquanto ainda há algo a salvar.

Em resumo

  • O churn raramente é uma decisão repentina. É um afastamento lento, visível nos dados de uso, atendimento e pagamento semanas antes de o cliente dizer qualquer coisa, e a maioria nunca diz nada.
  • Um modelo de churn transforma esse afastamento em uma lista priorizada de contas em risco, com tempo de sobra para agir. Bem feito, com analytics avançado, pode reduzir o churn em até 15%.
  • A previsão só compensa quando vem acompanhada da causa. Saber quem vai sair não serve de nada sem saber por quê, e qual oferta ou correção vai mudar a decisão do cliente.

Quando um cliente cancela, a decisão já foi tomada faz tempo. Ele parou de fazer login há um mês, usou cada vez menos, deixou um chamado de suporte esfriar e avaliou uma alternativa em silêncio. O cancelamento é só a formalização.

O difícil não é reagir a essa formalização. É enxergar o afastamento que vem antes, enquanto ainda há algo a salvar.

A maior parte do churn é silenciosa, e é justamente por isso que é previsível

O instinto é esperar a reclamação chegar. E é justamente esse instinto que atrapalha. A imensa maioria dos clientes insatisfeitos nunca se manifesta. Eles apenas usam menos o produto, renovam com receio e, no fim, vão embora.

96% dos clientes insatisfeitos nunca reclamam. Eles não avisam que vão sair; simplesmente param, o que significa que o alerta precisa partir dos dados, e não da caixa de entrada. Fonte: Beyond Philosophy

Silêncio não significa ausência de sinal. O cliente prestes a sair passa a se comportar de outro jeito muito antes de tomar a decisão. Os logins ficam mais raros. A adoção de funcionalidades estaciona. Os contatos com o suporte disparam ou somem de vez. As faturas começam a atrasar. Nenhum desses fatores diz muita coisa sozinho, mas, juntos, formam um padrão, e é esse padrão que os modelos sabem ler.

O que um modelo de churn realmente produz

Um modelo de churn atribui a cada cliente uma probabilidade de sair dentro de uma janela definida, sejam os próximos 30, 60 ou 90 dias. Você o treina rotulando clientes antigos como perdidos ou retidos, e ele aprende quais combinações de comportamento separaram os dois grupos. Tempo de casa, recência e frequência de uso, histórico de atendimento, índices de satisfação, atrasos de pagamento e tipo de plano: tudo entra na conta.

O resultado não é um dashboard. É uma fila priorizada: as contas com maior probabilidade de sair primeiro, ordenadas para que o esforço de retenção recaia onde muda o desfecho, e não onde faz mais barulho.

Saber quem vai sair é metade da resposta. A outra metade é por quê, e o que vai fazê-lo ficar.

O retorno financeiro de acertar nisso está longe de ser marginal. A retenção rende de um jeito que a aquisição nunca consegue.

95% é o teto do ganho de lucro que uma melhoria de 5% na retenção de clientes pode gerar, já que clientes retidos custam menos para atender e gastam mais ao longo do tempo. Fonte: Bain & Company

A mesma conta explica por que prevenir vale mais do que repor. Repor um cliente perdido é a forma mais cara de crescer.

Quadro 1

Reconquistar um cliente custa muitas vezes mais do que manter um

Reter o existente1x
Adquirir um novo5–25x

Fonte: Invesp (adquirir um novo cliente pode custar de 5 a 25 vezes mais do que reter um; barras dimensionadas pelo limite superior)

É por isso que os orçamentos mudaram. Pela primeira vez, as empresas gastam mais para defender os clientes que já têm do que para correr atrás dos que ainda não têm.

53% dos orçamentos de marketing são hoje direcionados a clientes existentes e não à aquisição, uma virada em relação ao antigo vício de conquistar novas marcas a qualquer custo. Fonte: Bain & Company

Um modelo vale tanto quanto a ação que ele dispara

Previsão sem ação é só uma forma mais precisa de assistir o cliente ir embora. As equipes que de fato mexem no indicador tratam o modelo como o primeiro passo de um ciclo, não como a palavra final.

  1. Defina o que é churn no seu negócio, e não no abstrato. Falta de renovação, cancelamento e um limite de inatividade implicam, cada um, uma variável-alvo e uma janela diferentes. Erre aqui e todos os números seguintes saem errados.
  2. Avalie o risco em relação ao valor, e não isoladamente. Uma conta de alto risco e alto valor pede uma resposta diferente de uma de alto risco e baixo valor. Cruzar a probabilidade de churn com o valor de vida do cliente ordena a fila pelo que realmente está em jogo.
  3. Una a pontuação à causa. A análise dos fatores de retenção responde à pergunta que a probabilidade deixa em aberto: este cliente está saindo por preço, por adoção ou por atendimento, e qual alavanca o faz mudar de ideia.
  4. Ajuste a intervenção ao motivo. Uma objeção de preço e uma falha de onboarding pedem ações opostas. O modelo aponta a conta; a análise dos fatores mira a ação.
  5. Meça o resultado contra um grupo de controle. Aplique as intervenções no grupo em risco e mantenha um grupo de controle de fora. Se o grupo tratado não apresentar menos churn, o programa é encenação, não retenção.

Onde o valor aparece

Um modelo de churn que alimenta um ciclo de retenção muda a economia da base de clientes. Ele tira a equipe da posição de reagir a cancelamentos que não dá para reverter e a coloca para agir sobre os sinais precoces que ainda dá. Analytics avançado aplicado à jornada do cliente pode reduzir o churn em até 15%, e os clientes que ele salva são o crescimento mais barato que uma empresa jamais vai comprar.

Para ver como construímos a previsão e os programas de retenção ao redor dela, conheça nosso trabalho de Churn Modeling ou explore os estudos de caso.

Fontes

  1. Beyond Philosophy, "15 Statistics That Should Change the Business World, But Haven't," beyondphilosophy.com.
  2. Bain & Company, "Retaining Customers Is the Real Challenge," bain.com.
  3. Invesp, "Customer Acquisition vs Retention Costs," invespcro.com.
  4. McKinsey & Company, "Reducing Churn in Telecom Through Advanced Analytics," mckinsey.com.

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